Ela tentava olhar no fundo dos olhos dele, tentando entender o por que daquele brilho, ela tentava entender o que se passava na cabeça dele, mais era uma atitude inutil de sua parte, ja que ele parecia ter dominio sobre seus olhares, de uma forma que ela nao encontraria as respostas que queria.
Mais ela nao desistia, pois sabia que dentro daqueles olhos expressivos, estava a formula pra tanta felicidade, e certeza da vida, e ela queria isso pra ela tambem.
A garota queria respostas, entao começou a pensar em outras formas de desvendar o mistério para sua felicidade, ja que daqueles olhos não tiraria mais nada.
Vagou pelo tempo, esquecendo do resto do mundo, foi ai que percebeu, que ainda não havia encontrado a sua felicidade, por que procurava tanto dentro de outras pessoas, e se esquecera de procurar em um lugar lógico, dentro dela.
Foi então que resolveu sair daquele local cheio de gente e com barulho excessivo, aonde encontrava pessoas felizes e outras tentando ser, em meio a bebidas jogadas pelos cantos ou se agarrando com outras pessoas, como se a felicidade fosse se transportar através de um beijo, ou um contato físico maior.
Foi para um canto sozinha, com a cabeça tão cheia de pensamentos que ela nem sabia mais o que estava pensando, eram coisas distintas, sem lógica ou sequencia, que nao tinha nem mesmo tradução.
Encostou em um muro, deixando seu corpo escorregar por ele, as batidas do seu coração acompanhavam a velocidade dos seus pensamentos, veloz e quase perdendo o controle.
Estava tão cheia das coisas que havia dentro dela, amores mal resolvidos, brigas com a família, infeliz pelo atraso da realização dos seus sonhos.
Derrepente sentiu uma gota quente escorrer pelo seu rosto, o gosto amargo veio logo em seguida, e então desabou, seus olhos ficaram vermelhos e inchados em questão de segundos, o choro era da alma, gritava de acordo com a dor que sentia, das lembranças que tinha, um dia ela ja havia sido feliz, queria resgatar seu passado para seu presente, mais por alguma razão nao conseguia.
Colocou-se então a questionar:
- Por que isso só acontece comigo? As pessoas ao meu redor estao todas felizes, ou ao menos conseguem fingir, mais eu ao menos sei fingir, nem me lembro do que é ser feliz, e nem sei se realmente alguma vez eu fui. Mais que droga! isso deve ser algum tipo de brincadeira, mas quem ta brincando comigo? Por favor, eu só quero sorrir de dentro para fora, quero que a alegria que comece em mim contagie os outros, por favor.
E continuou a chorar desesperadamente, acho que nao disse o nome dela ainda não é mesmo? Mais acho que preciso dizer, o nome dela é Francielly, a menina que é digna de ser amada, mais nem sempre foi assim.
Francielly, era uma garota de 17 anos, loira de cabelos longos lisos, como daquelas modelos de comerciais de shampoo, seus olhos era cor de mel esverdeados, que ficavam como esmeraldas quando chorava.
Quem se aproximava dela, logo ia embora, pois ela era tão mal resolvida com seus conflitos e em sua vida, que ninguem queria fazer parte daquela confusão.
Tinha amigas, claro, pessoas que ela daria a vida por elas, mais que não sabem um terço do que se passa no coração dessa garota.
Ela quer se formar, pilotar avião é seu maior sonho, viver livre, se sentir como um pássaro, ver o mundo la de cima, deixar seus problemas abaixo dos seus pés, ao menos uma vez.
Suas amigas, eram seu porto seguro, mais com toda essa falta de perspectiva, e esperança, ela começou até mesmo deixar eles de lado, sorrindo para que ninguem vesse seu fracasso.
É Francielly era uma menina que não sabia resolver seus conflitos, toda vez afastava-se deles. Mais naquele momento, olhando a lua que pairava no céu, rodeada de estrelas mais solitária como ela, percebeu que estava se libertando, de parte da dor que havia nela, talvez aquele estava sendo o melhor momento de sua vida.
Ou pelo menos um começo dele.
E então foi ai que ela conseguiu retomar o fôlego, então soltou sua ultima frase de desabafo, revolta e loucura:
- Por que nem aos berros e rios de lagrimas eu consigo melhorar??
Sentindo seu coração voltar ao ritimo normal lentamente, olhou para os lados e agradeceu a rua por estar vazia, assim ninguém havia visto aquele seu momento.
Francielly não gostava de falar da sua vida para os outros, ela pensava que eles ja tinha problemas demais e que não seria justo despejar seus problemas em cima de outra pessoa, então encontrava refúgio em seu velho diário a quem dera o nome de Charlie.
Naquela noite, quando retornara a casa de sua amiga, que estava passando o final de semana, sentiu um vazio imenso dentro dela, e um medo maior ainda, afinal agora ela sabia aonde tinha que procurar a sua felicidade, mas o que havia dentro dela? Ela estava prota para procurar?
Despiu-se e foi para o banho, nua na frente do espelho do banheiro, parou por alguns segundos, e ficou observando, não viu brilho em seus olhos, só algumas espinhas e umas marcas de expressão que começavam aparecer, não se reconheceu, e quase que sussurando falou:
- Quem é você?
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