segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Quando eu era pequena:


Eu achava que era um absurdo uma casa que não tinha teto e não tinha nada, então não era uma casa! Até parece. Humpf!
Eu tinha certeza que no logotipo da Elma Chips, as bochechas eram os olhos, e os olhos os buracos do nariz daquele sorridente sorriso, e que no logotipo da Antarctica era um expressiva carinha vermelha que ficava me fitando com enormes olhos vermelhos, ao invés de dois pingüins idiotas –‘
Eu achava o máximo mastigar um Fandangos, cuspir a macinha dentro de outro Fandangos – usando a guisa de cuia – e por fim mandava aquela porca mistura. Eu me maravilhava , achando que tinha acabado de inventar um salgadinho com recheio. . . De salgadinho! -.-
Eu achava trevos de quatro folhas de monte no fundo de casa, ta bem, eram só três folhas, mais eu também não achava mal nenhum promove-los, colando uma quarta folha com durex :x. Eu pensava que meus pais não sabiam que eu estava fingindo estar dormindo no sofá só pra ser carregada no colo pro meu quarto.
Eu achava que se olhasse bem perto com atenção, eu ia ver minhas unhas e meu cabelo crescendo. Eu achava que podia mudar minha risada quando quisesse (sim, eu ficava treinando outras na frente do espelho), quando não pra dar uma incrementada a mais, eu quebrava uma dessas pulseiras de ferrinho e enfiava na boca fingindo ser aparelho e ainda por cima convencia as minhas amigas a porem também, e fazia elas sorrirem pra todo mundo, para que todos contemplassem o ‘nosso novo aparelho’. Eu pensava que nos dias de sol, desses bem claros se eu olhasse bem eu ia ver a África olhando alem do mar da Praia Grande.
Eu achava que deixar a TV fora do ar não era uma boa, pois podia ser uma porta de entrada para espíritos que fariam meu palhaço criar vida e tentar me matar ou me sugariam para dentro do aparelho e, depois, eu teria que “caminhar para a luz”. Mas isso era culpa de “Poltergeist”.
Eu pensava que podia comprar o que eu quisesse com o dinheiro do banco imobiliário, e quando eu ‘jogava’ no outro dia eu chegava na escola me gabando “eu comprei o Morumbi ontem” e todos acreditavam e me faziam prometer que eu os levaria lá um dia.
E achava que com 17 anos eu já ia ser rica bonita, e ia morar em Florianópolis em uma ilha que eu compraria e colocaria o meu nome, eu achava que podia ser desenhista (O que mostra que crianças não tem muita noção né?!) ou que podia um dia escrever algo que valesse a pena (o que mostra que as vezes agente acerta, valeu um post.)

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